Mitos e Simbologia que envolve a história da Medicina – Autor: Diogenes Melo

Os mitos são histórias, contos, invenções ou interpretações de eventos e fatos que acontecem numa dita sociedade, recheados de simbolismo e com todo um enredo por traz de uma minuciosa narrativa.

De tal maneira, temos que o mito, muito mais que um reflexo do imaginário popular, é um reflexo das correntes filosóficas do contexto histórico cultural daquele meio naquela faixa tempo-espacial, por isso, o mito não deve ser encarado como uma fantasia esdrúxula da sociedade, mais sim como um fruto de um povo, que buscou nas narrativas uma forma de passar o que lhe era contemporâneo. Narrativas estas que persistem ao longo das gerações.

A medicina, como toda e qualquer ciência, possuí uma vasta e rica história, e nesta estão tatuados uma infinidade de mitos que conotam toda uma simbologia peculiar a essa ciência. Nesse texto, tentarei abordar de forma sucinta os principais mitos que envolvem os maiores símbolos da medicina.

O Mito de Asclépio

Asclépio para os gregos, Esculápio para os romanos, esse era o nome dado do deus da medicina. Filho de Apolo, Deus do Sol e da Música, com a ninfa Coronis, Asclépio nasceu de uma cesariana após a morte de sua mãe. Asclépio foi criado pelo Centauro Quíron, que era mestre na arte de curar e treinar guerreiros – Aquiles, da Guerra de tróia, foi treinado por Quíron. Este ser mitológico, metade homem metade cavalo, foi responsável por passar os ensinamentos médicos e curativos para o menino Asclépio.

Asclépio possuiu alguns símbolos importantes que valem a pena serem abordados. O Galo, a Serpente, a Cabra e o Cão. O Galo representa a chegada do alvorecer, do raiar do dia, que conota a chegada de Apolo. A Serpente representa a renovação, a vida eterna, pelo fato deste animal poder trocar de pele com frequência. A Cabra representa a nutrição, que todo médico tem como função, não de alimentar apenas de forma física, mas principalmente de forma espiritual as almas sedentas por consolo e palavras de conforto. O Cão representa a fidelidade, fidelidade de um animal que é o melhor amigo do homem, assim como o médico é o melhor amigo do enfermo, pois é no medico que o enfermo confia a sua vida e por esse motivo deve ser fiel e leal ao doente.

O jovem médico, Asclépio, começar a curar as pessoas, e suas habilidades chegam a tal ponto que ele passa à ressuscitar pessoas, algo que desagrada muito Hades, Deus do mundo dos mortos. Por infringir os limites entre a vida e a morte, Asclépio teve sua vida ceifada.

Desde então, o dia 18 de outubro é referenciado como o dia de Asclépio,o dia do médico.

Neste mito temos também o porquê da constelação de Sagitário ser símbolo médico também. Isso se dá por essa constelação representar o centauro Quiron.

Quiron foi atingido acidentalmente por uma flecha que continha na ponta veneno de hidra, veneno esse que impossibilita a cicatrização. Logo, ele fica com uma ferida que nunca irá curar. Muitos falam que Quiron é o melhor médico, pois este representa o médico ferido, é o bom médico só será bom de fato quando tiver vivido o outro lado, o lado do doente.

O Mito do Caduceu de Hermes

Na Grécia antiga, Hermes é tido como o mensageiro dos deuses do Olímpio, protetor dos ladrões, comerciantes, charlatões. Além disso, Hermes era quem levava os mortos para o submundo, governado por Hades.

O mito tem origem com Hermes roubando vacas de seu irmão Apolo, inicia-se assim uma intensa desavença entre eles que se faz necessário a mediação de Zeus para apaziguar a situação. Como uma forma de selar a paz, Hermes faz uma harpa de casco de tartaruga e tripas de boi e presenteia Apolo, em troca, Apolo que lhe dá o caduceu. Caduceu que posteriormente ganhas às asas simbolizando a rapidez com que Hermes conduzia as mensagens, tanto é que quando o Império Romano subjuga o Grego o nome de Hermes passou a ser Mercúrio. O planeta Mercúrio também tem esse nome por ser o com a translação mais rápida do sistema solar.

Através de associações equivocadas, o caduceu de Hermes é utilizado como símbolo médico. Tanto por causa do deus egípcio Thoth quanto pelo uso do caduceu em campos de batalhar, o símbolo foi confundido como algo equivalente ao bastão de Asclépio. Resultado foi que o símbolo passou para a alquimia, depois para a farmácia e veio parar na medicina.

Associar o caduceu com a medicina é muito mais que uma gafe, é um desrespeito. É uma forma ruim de exercer a profissão, utilizar o mesmo símbolo dos ladrões, dos traficantes, dos meliantes, dos charlatões… Como confiar a saúde a um profissional que usa um símbolo de um deus grego que conduz os mortos para o submundo? Isso motivo de  receio e desconforto para o paciente.

Caduceu Babilônico

Outra grande história relativa a um Caduceu é a epopéia de Gilgamesh, que acontece na Mesopotâmia. Gilgamesh era um guerreiro, personagem principal de uma grandiosa história na qual ele tinha que realizar diversos trabalhos, algo parecido com os trabalhos de Hércules, com a finalidade de vencer a morte.

Para vencer a morte, Gilgamesh tem que mergulhar até o fundo do rio dos mortos para pegar a flor, que quando ingerida, lhe garantiria a vida eterna. O herói consegue, depois de muito trabalho, pegar a dita flor, e cansado, no final do trabalho, decide descansar ao lado de uma árvore. É quando aparece uma serpente e come a flor da imortalidade, e a partir desse momento passa a troca de pele, característica que a faz ser símbolo do rejuvenescimento, da esperteza e longa vida. Gilgamesh ao acordar e ver o fato começa a chorar.

O drama e o dilema de nosso guerreiro só aumenta quando seu parceiro de batalha, Enkidu, morre. Gilgamesh então vai buscar respostas para o que ele tanto procurou, a imortalidade, nas palavras do sábio imortal do dilúvio, o Utnapishtim, e tem escuta:  “A vida que você procura nunca encontrará. Quando os deuses criaram o homem, reservaram-lhe a morte, porém mantiveram a vida para sua própria posse.”

Fontes:

Santos Filho L. História Geral da medicina brasileira. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1991.

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História da Medicina – Autora: Keoma Mariz

Quando nos foi dado o aviso de que algum texto nosso poderia ser publicado no blog de História da Medicina criado por alguns membros do atual terceiro período, não pensei em ser uma das concorrentes já que, de início, confesso, não via o menor sentido em pagar esta disciplina diante de tanta pressão que nos é feita em outras como, por exemplo, Anatomia e Fisiologia.

No entanto, minha visão sobre o assunto mudou quando tive que, obrigatoriamente, estudar para a primeira avaliação.

Resolvi, portanto, não apenas concorrer à condição de publicar um texto, mas explicar os motivos pelos quais eu modifiquei minhas ideias acerca da disciplina. Então, permitam-me ter “licença poética” para falar em primeira pessoa e perdoem-me por não ter escolhido um tema específico para discorrer.

Conhecer o significado do bastão de Asclépio e o R cortado que são utilizados em jalecos e receitas médicas, respectivamente, me fez refletir um pouco sobre como a história está presente em toda parte e tantas vezes passamos alheios a ela.

Entender o sentido do mito do Quíron ferido me fez rememorar que um dos motivos pelos quais eu escolhi seguir a carreira médica foi o fato de já ter “sentido na pele” o quão frágeis física e psicologicamente algumas doenças nos deixam.

Conhecer a relevância que Hipócrates teve na construção do protótipo de Medicina que hoje se busca, me fez valorizá-la ainda mais como arte antes de enxergá-la apenas como ciência.

Ler o diálogo entre o já renomado médico Thomas Sydenham e o então estudante Richard Blackmore sobre iniciar o estudo da Medicina através da leitura do livro Dom Quixote de La Mancha, de Cervantes, me fez perceber que o que me incita a continuar fazendo este curso é o desejo constante de humanização em saúde e de indignação contra as injustiças que possam parecer mais pueris.

Sem mais delongas, encerro com um trecho da música “O mundo é um moinho”, do grande Cartola que, a meu ver, alude um pouco ao sentido de que tudo passa e acaba se tornando história : “Em cada esquina cai um pouco a tua vida, em pouco tempo não serás mais o que és”.

Sob essa perspectiva, se alguém no mundo – nem que seja apenas uma pessoa -, conseguir, assim como eu, alterar sua ótica negativa sobre a História da Medicina, este texto já terá valido a pena.

Keoma Mariz, 02-11-2013.

A medicina como arte – Autora: Nathallya Pessoa

Falar que medicina e humanismo devem caminhar de mãos dadas é encarado como um pleonasmo. A medicina é uma prática que leva em seu caráter a subjetividade e a capacidade de lidar com o ser humano. Muito mais do que um diploma, ser médico é conhecer a pessoa a qual está sentada em sua frente à procura de cuidados, cuidados esses não só técnicos como psicológicos. O médico deve ter conhecimento não só sobre órgãos, fisiologia, patologias e farmacologia, é necessário o conhecimento do contexto sociocultural em que seu paciente está inserido, como também o conhecimento da história que compõe a sociedade médica a qual pertencemos.

Entender a mente humana é algo visto com muita complexidade. Parafraseando Hipócrates, considerado o pai da medicina, “é mais importante conhecer o doente do que o tipo de doença que ele sofre”. A base do cuidado está na confiança e ambos compõe os preceitos da medicina. Ser médico é ser pai, mãe, irmão e todos os integrantes familiares ao mesmo tempo. É conhecer pelo nome e não por números em prontuários, tratando-os com respeito. Ser médico é aprender a decifrar o corpo de forma subjetiva, correlacionando o psiquico com o físico. Ser médico é ser perito em sentimentos, doenças, cultura, olhar, atitudes e posturas que nos informam algo que tecnicamente não se pode ser colhido em um frasco e colocado em um fixador para análise: o pensamento.

A arte de entender o paciente está se tornando cada vez mais obsoleta. São poucos os médicos que mediante a tantas tecnologias procuram afundo entender o subjetivo de uma mente humana, deixando de lado o bem estar emocional, esquecendo-se que o núcleo da relação médico paciente era, e sempre será, o bem, devendo todos guiar-se pelo amor ao homem e o amor à sua arte.

Fazer medicina é uma ação que exige responsabilidade não só para com a vida do agente como para com a vida de outras pessoas. Já ser medicina está em outro patamar. Atuar com a vida durante toda uma vida é viver várias vidas ao mesmo tempo, exigindo do médico paciência, dedicação e respeito por ela, e muito mais é exigido daqueles que caminham na graduação.

É dever dos professores deste curso ensinar aos alunos não só o conhecimento cientifico, mas ensinar como lidar com outro ser humano. Para ser médico é necessário que sejamos também pacientes. Parafraseio mais uma vez o então renomado Gregório de Matos em que dizia:

“O todo sem a parte não é todo,

A parte sem o todo não é parte,

Mas se a parte o faz todo, sendo parte,

Não se diga, que é parte, sendo todo.”

Ser especialista atualmente é um requisito bastante desejado pela maioria dos estudantes que venham a se formar neste curso, escasseando-se cada vez mais os clinicos gerais. Esse fato tem permitido que muitos médicos passem a ver seus pacientes apenas como uma unha do dedo “mindinho” do pé esquedo, por exemplo, ponto importante e que caracteriza o distanciamento do conceito defendido na relação médico paciente.

O dever do médico não é vencer a morte, pois se trata de um fim inevitável para todos. É dever do médico propiciar saúde e conforto prolongando a vida, não sozinho, mas em conjunto com o seu próprio paciente, necessitando com isso de sua confiança. Logo, é necessário fazer jus ao Juramento de Hipócrates que proclamamos na solene formatura levando consigo os conceitos de honestidade, humildade, caridade, descrição e englobando para seu caráter o conceito moral de ética.

Aluna: Nathallya Pessoa – 3º Período de medicina

Crítica aos Trabalhos Apresentados – Autora: Daisy Maia

Introdução

Foi realizada a apresentação de seminários da disciplina de História da Medicina no dia 27 de agosto de 2013. Estes mostraram temas variados e abordaram épocas e culturas distintas da nossa história: A Medicina pré-histórica, Empírica, religiosa e Mágica e A medicina Egípcia; A medicina da Mesopotâmia; A medicina da antiga Índia; A medicina da antiga China; A medicina dos Astecas, Maias e Incas; A medicina pré-científica da Grécia Antiga: origens da medicina científica. Escolas filosóficas e médicas da antiguidade: Escola jônica (de Mileto): Tales, Anaximandro e Anaxímenes. Escola Eleática – Parmênides, Platão e Aristóteles; A medicina pré-científica da Grécia Antiga: origens da Medicina Científica. Heráclito de Éfeso. Escola Pitagórica – Pitágoras. Escola Siciliana – Empédocles de Agrigento. Escola de Medicina de Crotona – Alcmeão. A doutrina atomista – Leucipo e Demócrito e As Escolas Médicas de Cós (Hipócrates) e de Cnidos (Eurífones e Ctésias). Escola Médica de Alexandria – Galeno.

Com estas apresentações foi-nos possível adquirir conhecimentos acerca da história da nossa futura profissão, a Medicina, estabelecendo um elo entre o passado e o presente, estando, estes, totalmente associados e correlacionados.

   

Comentário

A apresentação dos seminários teve início com o grupo 1, formado por Adolfo, Jamilly e Alisson, que expôs o tema  “A Medicina pré-histórica, Empírica, religiosa e Mágica e A medicina Egípcia”. Inicialmente, foram abordados os tratamentos primitivos nos quais os homens pré-históricos costumavam, por exemplo, tratar enfermidades com banhos frios e uso de ervas e tinham a tradição de lamber ferimentos para acelerar a cicatrização. No período Paleolítico havia um forte vínculo entre a fé e a saúde e isso se dava através de cultos e rezas. Foi no período Neolítico que iniciou-se a prática da trepanação, mecanismo no qual abria-se um buraco no crânio a fim de aliviar a pressão encefálica e isso aumentava bastante a sobrevida das pessoas desse tempo, que geralmente tinham expectativa de vida de cerca de 33 anos. A medicina primitiva pré-histórica também foi palco de feitiços e curandeirismos e a população acreditava que a doença era um castigo dos deuses, demonstrando o forte vínculo com a religiosidade. Práticas como o vudu e o empirismo também surgiram neste período. Também foi falado sobre a Medicina Egípcia na qual os deuses eram relacionados à saúde e à doença, vários deuses tinham uma importância significativa na cultura dos egípcios, como Horus que significava poder e coragem. Papiros egípcios datados da época foram descobertos e abordavam temas como a fisiologia cardíaca e a circulação sanguínea, temas importantíssimos para o surgimento do saber médico. O exame de múmias possibilitou, na época, o estudo de órgãos e doenças.

O segundo grupo foi o que eu fiz parte e nós abordamos o tema “A medicina na Mesopotâmia”, nosso grupo é formado por mim, Clara Celly e Cícera Larissa, e foi muito satisfatório pesquisar sobre como era vista a medicina naquela cultura e aprender mais sobre o surgimento do símbolo da Medicina, o bastão de Asclépio.

O terceiro grupo, formado por Danielle, Diogenes e Gabriela, tratou sobre o tema “A medicina da antiga Índia”. Foi dada uma grande ênfase para a medicina milenar Ayurveda que significa “ciência da vida” e constitui a base teórica da medicina da Antiga Índia. Para os indianos a doença era vista como o resultado de um desequilíbrio dos doshas, que eram características que podiam ser associadas às pessoas e, de acordo com os doshas, a terra, o éter, a água, o ar e o fogo determinavam se as pessoas eram, por exemplo, gordas ou magras, frias ou quentes. Na Índia haviam centenas de deuses e a Medicina dessa cultura era preventiva e holística, tratava o homem como um todo. Foram citadas práticas indianas como o Shantala e o Yoga, porém por uma falta de planejamento do tempo, não deu para o grupo terminar o conteúdo proposto durante os 15 minutos pré- estabelecidos e muitos pontos importantes não foram citados. No entanto, o que foi apresentado pelo grupo teve  uma boa qualidade.

O grupo 4, formado por Jaqueline, João Antônio e Hemília, abordou o tema “A Medicina da Antiga China” que é a terceira mais antiga, ficando atrás apenas da medicina babilônica e da medicina indiana. Na antiga China, alguns alimentos eram utilizados para alívio de doenças e o fogo, além de ser usado para o aquecimento, também servia para alívio da dor. A acupuntura, prática bastante conhecida e utilizada até hoje, teve origem na antiga China, sendo uma técnica milenar de alívio de dores e consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo, a depender da enfermidade ou queixa do paciente. A acupuntura era praticada nos tempos da antiga China, com agulhas rudimentares feitas com ossos de animais. Foi falado que a China passou por um momento de perturbação política e social e, nesse período, surgiram personagens importantíssimos para a história chinesa que tentaram acabar com essa tensão, foram eles Confúcio e Lao-tsé. Foi nesse período que surgiu a filosofia Yin/Yang, no qual o primeiro significa a escuridão, o feminino e o passivo e o segundo significa o céu, o masculino e o ativo, ou seja, são lados opostos que foram expressos em um símbolo muito famoso que é um círculo cuja metade é preta, representando o Yin, e a outra metade e branca, representando o Yang, sendo perfuradas por círculos menores da cor oposta, para mostrar que nenhum lado é mais importante que o outro e ambos se precisam. Bian Que iniciou os conceitos de Semiologia na antiga China. Na China houveram muitas dinastias e, cada uma delas, tinha suas particularidades. A dinastia Han, por exemplo, tinha grande influência do Budismo. São heranças da Medicina tradicional chinesa a acupuntura e o moxabustão. O grupo também não conseguiu terminar todo o conteúdo no tempo correto e acabou sem explanar alguns pontos, mas os pontos abordados foram bem expostos.

O quinto grupo, formado por Larissa, Keoma e João Carlos, explorou o tema “A Medicina dos Astecas, Maias e Incas”, que eram culturas altamente organizadas e evoluídas para o seu tempo, suas cidades, por exemplo, tinham um elaborado sistema de saneamento básico e eram muito organizadas, tinham banheiros públicos, coletas de lixo para locais mais distantes e suas ruas eram calçadas com blocos de argila. Os Astecas eram politeístas e acreditavam que tinham que ofertar sangue humano aos deuses oferecendo, em práticas religiosas, corações humanos ainda pulsando. O sistema de intervenções terapêuticas através de plantas medicinais, dietas e ritos são evidentes nessa cultura. Os Maias também eram politeístas e faziam sacrifícios humanos. Eles tiveram construções arquitetônicas bastante notáveis para a época, mas foram rapidamente dominados e extintos. Os Incas também eram politeístas e realizavam sacrifícios tanto de animais como humanos, eles acreditavam em bruxas e realizavam práticas como a trepanação, em homens jovens chegados de batalhas, isso era feito para aliviar a pressão intracraniana. Além disso, os incas fizeram muitas descobertas farmacológicas. Usavam o quinino no tratamento da malária com grande sucesso. As folhas da coca eram usadas de modo geral como analgésicos e para diminuir a fome.

O grupo 6, Maria Eduarda, Michele e Nathália, ficou com o tema “A medicina pré-científica da Grécia Antiga: origens da medicina científica. Escolas filosóficas e médicas da antiguidade: Escola jônica (de Mileto): Tales, Anaximandro e Anaxímenes. Escola Eleática – Parmênides, Platão e Aristóteles”. Foi visto que os períodos Arcaico e Clássico da Grécia Antiga foram os mais importantes para a Medicina e já foram desenvolvidas algumas noções de anatomia devido ao estudo em animais. No Período Arcaico surgiram escolas médicas e filósofos médicos cujos seus conhecimentos perduraram-se até hoje. Na Escola Jônica, Tales de Mileto, considerado o “pai da filosofia ocidental” foi um grande matemático. Anaximandro teve alguns feitos notáveis, entre eles a confecção do mapa-múndi. Anaxímenes foi outro filósofo que criou a teoria da condensação e rarefação. Na Escola Eleática tiveram filósofos muito importantes como Parmênides que duvidava das evidências dos sentidos, Platão que desenvolveu ideias sobre cérebro e corpo e Aristóteles que era muito curioso e dissecava animais, é considerado o “pai da anatomia comparada”, ele estudou as meninges, a divisão entre cérebro e cerebelo e o líquor, estudos super complexos para a época.

O sétimo grupo, composto por Olga, Salvatore, Sheiva, Mikaela e Rafaella, teve a brilhante ideia de fazer um blog sobre o seu tema “A medicina pré-científica da Grécia Antiga: origens da Medicina Científica. Heráclito de Éfeso. Escola Pitagórica – Pitágoras. Escola Siciliana – Empédocles de Agrigento. Escola de Medicina de Crotona – Alcmeão. A doutrina atomista – Leucipo e Demócrito” cujo link é  https://historiadamedicinafcmcg.wordpress.com/. A iniciativa deles foi maravilhosa, pois além de valorizar o nome da instituição, pôde contribuir para acrescentar conhecimento aos curiosos sobre tal assunto, neste site fala um pouco sobre cada filósofo do tema proposto. Para Heráclito de Éfeso, tudo flui e tudo muda o tempo todo, segundo ele “É impossível entrar no rio duas vezes. As águas já são outras e nós já não somos os mesmos”. Pitágoras descreveu com maestria em sua obra o cérebro sendo a cede do intelecto e dos sentidos, os distúrbios funcionais do cérebro, os nervos ópticos, entre outros. Empédocles de Agrigento era filósofo, médico e professor, criou a teoria dos 4 elementos (água, fogo, ar e terra) e acreditava que o amor e o ódio eram duas forças que rearranjavam esses elementos. Alcmeão elevou a medicina à categoria de ciência e é considerado o “avô da Medicina”, ele acreditava que a saúde era o equilíbrio entre os líquidos do corpo. Leucipo e Demócrito fundaram a teoria atomística, afirmando que o átomo era indivisível, eles também acreditavam que tudo tinha alma.

E por fim, o oitavo grupo, composto por Vitória, Nayara, Ana Clara e Dandara, abordou o tema “As Escolas Médicas de Cós (Hipócrates) e de Cnidos (Eurífones e Ctésias). Escola Médica de Alexandria – Galeno”. Foi dito que Hipócrates, figura muito importante para a medicina e considerado o “Pai da Medicina”, foi o primeiro a separar a medicina da superstição, ele acreditava no poder curativo da natureza. Falou-se sobre o Corpus Hipocraticum, compilação muito importante para a História da Medicina, e sobre o Juramento Hipocrático que faz parte dessa obra e é conhecido como o juramento da medicina. Cnidos foi uma escola médica que se destacou nas áreas de ginecologia e obstetrícia, Eurífone e Ctésias fizeram parte da escola médica de Cnidos. A escola médica de Alexandria teve um grande médico e estudioso sobre anatomia, Galeno, considerado o maior médico do Império Romano, tendo sido influenciado por Hipócrates. A biblioteca de Alexandria foi a maior reunião de documentos, livros e tábuas da História Antiga, porém foi destruída e pouco restou do seu acervo.

Conclusão

 Através da apresentação dos seminários sobre Medicina em diversas culturas, foi-nos possível fazer uma “viagem” pelo tempo numa tarde só. Em um breve período de apenas uma aula, pudemos ter conhecimento do conceito, da evolução e das práticas da Medicina desde o período pré-histórico do Paleolítico até as mais recentes Escolas Médicas Hipocráticas. Visitamos o imaginário de populações de culturas muito distintas umas das outras, passando pela antiga Mesopotâmia, China antiga, antiga Índia, Maias, Astecas e Incas, com isso foi possível conhecer o conceito de saúde e doença desses povos, além de viajar pelas suas religiosidades, hábitos de vida e costumes de cada população.

Pudemos, ao fim das apresentações, ter a capacidade de relacionar práticas realizadas há centenas de anos com as atuais e observar que muitas, de fato, vêm de culturas milenares. Por isso é tão importante para nós, futuros médicos e médicas, fazer um estudo sobre a História da nossa futura profissão, para que possamos conhecer mais sobre a sua essência.

Foi observado um grande interesse, sobre tal assunto, dos alunos da turma B do 3º período de Medicina da FCM. Todos se interessaram em pesquisar bastante sobre o seu tema e ficaram atentos à todas as outras apresentações realizadas a fim de adquirir conhecimento sobre o conteúdo.

O fim das apresentações foi marcado por uma leitura do Juramento Hipocrático comentada pelo professor João Bosco, para que pudéssemos entender o que realmente há nas entrelinhas deste texto que juraremos num futuro próximo.

1. Heráclito de Éfeso

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Nasceu por volta de 540 a.C na cidade de em Éfeso, cidade da Jônia (atual Turquia) é considerado um dos mais importantes filósofos pré socrático.  Denominado o “pai da dialética”- (consiste um método de diálogo cujo foco é a contraposição e contradição de ideias que leva a outras ideias), apresentava desprendimento em relação ao poder e  desprezo pelos bens materias, a plebe, as práticas religiosas populares. Desdenhar de poetas, os filósofos da época.

  • Princípio “Tudo flui como um rio”, tudo se move – Panta rei

Princípio defendido por Héraclito é que tudo vive em constante movimento, e que nada  permanece estático, tudo se transforma – “ É impossivel entrar no rio duas vezes. As águas já são outras e nós já não somos os mesmos”

Considerado pressuposto de uma doutrina –  O devir, no qual as mudança que acontece em é sempre uma alternância nos contrários. Coisas quentes esfriam, coisas frias esquentam; coisas úmidas secam, coisas secas umedecem – Guerra entre os opostos.

  • O filósofo do fogo

Para Héraclito, o fogo era o elemento primordial do mundo, no qual tudo surgia e terminava em fogo, defendendo na passagem em que diz “acendendo-se em medidas e apagando-se em medidas.”

Explicando- se que o fogo quando condensado, se umidifica e, com mais consistência, torna-se água; e esta, solidificando-se, transforma-se em terra; e, a partir daí, nascem todas as coisas do mundo. Este é o caminho que Heráclito define como sendo “para baixo“.
Derretendo-se a terra, obtém-se água. Água transforma-se em vapor, tal como vemos na evaporação do mar. E, rarefazendo-se, o vapor transforma-se novamente em fogo. E este é o caminho “para cima“.

2. Escola Pitagórica – Pitágoras

Pitágoras, um dos maiores filósofos da Europa antiga, nasceu 580 anos a.C. em Sámos, na Anatólia. Fundador da escola de Crotona, responsável pela criação dos números irracionais e do conhecido teorema de Pitágoras, criador da chamada irmandade pitagórica de natureza essencialmente religiosa, pioneiro do conceito de que a Terra era redonda e que o sol era o centro do universo.

Ao chegar à idade adulta, por não se sentir satisfeito com os conhecimentos que havia adquirido em sua terra, Pitágoras deixou a ilha onde vivia e passou anos a viajar em busca de conhecimento, passando por grandes centros de sabedoria, tais como Egito, Fenícia, Babilônia, Índia e Pérsia, além de vários santuários gregos. Estudou geometria no Egito, astronomia na Babilônia e, na Índia, adquiriu mais conhecimentos de matemática, astronomia e muitas ideia religiosas.

Voltou com a mente repleta de conhecimentos à sua Terra, onde tinha a intenção de fundar uma escola para compartilhar os seus conhecimentos, porém, por não suportar a tirania de Polícrates, senhor absoluto de Sámos, Pitágoras emigrou de sua ilha para Crotona, colônia grega da Itália meridional. Lá, ele fundou uma escola, ao mesmo tempo religiosa, filosófica e política. Essa era constituída por membros que tinham muito em comum, eles adotavam a temperança e o vegetarianismo e, deveriam jurar lealdade ao líder, prometendo jamais confiar seus conhecimentos aos demais.

Seus discípulos acreditavam que os números eram a origem e a forma do mundo. Para eles, a matemática constitua a base moral para a conduta e os números, os fundamentos da filosofia e da vida. O filósofo considerava o homem um universo em escala reduzida e, no universo, ele via um grande homem. Ele chamou-lhes respectivamente Microcosmos e Macrocosmos. Assim, o homem como uma célula contida no todo seria um reflexo do ternário universal constituído de corpo, alma e espírito.

A cidade de Crotona, também abrigou a escola médica liderada por Alcmeón, um dos mais importantes discípulos de Pitágoras. Alcmeón, dedicado ao estudo da natureza como físico e como médico, foi o primeiro a praticar a pesquisa pela dissecação de cadáveres e a fazer uma operação nos olhos.  Ele descreveu com maestria em sua obra:

– O cérebro sendo a cede do intelecto e dos sentidos;

– Descreveu os distúrbios funcionais do cérebro;

– Os nervos ópticos;

– Três fatores principais que afetavam a visão: a luz externa, o fogo interno e o líquido contido no olho;

– Distinguiu as veias das artérias;

– A trompa de Eustáquio;

– Propôs explicação para o sono e a morte;

– Concebeu a saúde como o equilíbrio das qualidades. Assim, a boa e a má saúde dependiam de uma combinação de elementos opostos;

– Explicou que a doença era causada pela perturbação desse equilíbrio.

Pitágoras não deixou nenhum registro escrito, e sendo sua sociedade secreta, certamente muito sobre ele foi perdido após a morte dos seus discípulos. É difícil hoje distinguir o que ao certo foi obra de Pitágoras e o que foi obra de seus discípulos, uma vez que a figura de Pitágoras e a figura da filosofia pitagórica são inseparáveis, de modo a tornar difícil a tentativa de separar o homem de seus conhecimentos.

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3. Escola Siciliana – Empédocles de Agrigento

Empédocles, 495/490 – 435/430 A.C., foi o maior pensador da Escola Siciliana e, como outros estudiosos da época, era médico, filósofo, professor. Empédocles possuía grande habilidade retórica e conhecimento da natureza e, assim, tentou construir uma das primeiras explicações para existência do mundo com fundamentos baseados na observação da natureza, deixando de lado as explicações mitológicas até então prevalentes.

Para Empédocles, tudo que existia no mundo era formado pela interação de quatro elementos: água, fogo, ar e terra. Ainda, esses elementos seriam unidos pela força do amor e separados pela força do ódio, explicando assim a variação e harmonia dos elementos. As diferentes formas de interação entre esses elementos eram o que originava a diversidade no mundo. Esta teoria de quatro elementos teve extrema importância histórica pois, posteriormente, influenciou diversas outras teorias criadas por outros célebres estudiosos como Platão, Aristóteles e Hipócrates.

Empédocles também chegou uma conclusão significativa para anatomia do corpo humano, pois concluiu que o sangue distribuía vida através dos vasos sanguíneos com o coração sendo o centro circulatório.

Além disso, também observamos como Empédocles estava a frente do seu tempo,  quando este afirma: “Sobrevive aquele que está melhor capacitado”, ou seja, com uma melhor combinação de elementos. Dessa forma, aproximadamente 2460 anos antes de Darwin, Empédocles dava início a pensamentos evolucionistas.

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