Medicina na Antiga Mesopotâmia – Autora: Cícera Larissa Pinheiro

Aluna: Cícera Larissa Pinheiro dos Santos

Medicina na Antiga Mesopotâmia

Mesopotâmia ou ” terra entre rios ” é delimitada pelo Rio Tigre se Eufrates, considerada um dos berços da civilização, já que foi na Baixa Mesopotâmia onde surgiram as primeiras civilizações. Por volta do III milênio, Ur, Uruk e Lagash foram umas das primeiras cidades a surgir. Com o decorrer do tempo, o comércio se tornava mais intenso, as comunidades começaram a abandonar o nomadismo, sendo tudo isso importante para o início do processo de urbanização das ditas cidades. Atualmente o território ocupado por essas cidades corresponde ao Iraque.

Com relação aos povos, tivemos os Sumérios e Acadianos (antes de 2000 a.C.), Amoritas (2000 — 1750 a.C.), Assírios (1300 — 612 a.C.) e Caldeus (612 — 539 a.C.). Os Sumérios foram os primeiros a habitar o sul da Mesopotâmia e sua medicina era baseada na astrologia; logo depois os Acadianos dominaram as cidades-estados da Suméria por volta de 2550 a.C.Com a decadência do império fundado por Sargão I, surge o gigantesco império babilônico que teve como um dos membros de maior destaque Hamurabi, que elaborou um código de leis, numa placa de argila em escrita cuneiforme, que ficou conhecido como o Código de Hamurabi; o código trazia trechos relativos ao exercício da medicina, caso um médico perdesse seu paciente, responderia pelos seus erros, tendo também as mãos decepadas. Após a morte de Hamurabi, todo o território Amorita foi invadido por vários povos até ser dominado pelos Assírios; viviam do pastoreio, habitando as margens do rio Tigre. Um dos reis que mais se destacou foi Assurbanípal, famoso pela sua crueldade. Os principais responsáveis pela derrota dos Assírios foram os Caldeus, e Nabucodonosor II foi o soberano mais conhecido dentre esse nobre povo. Nabucodonosor ficou conhecido por construir uma das sete maravilhas do mundo antigo, os jardins suspensos da babilônia. Após dezenas de anos de existência, o Império dos caldeus foi incorporado ao Império Persa.

Muitas das informações disponíveis sobre a história da medicina na Mesopotâmia vêm de tábuas com escrita cuneiforme, que foram desenterradas da biblioteca do Rei Assurbanipal, o último grande rei da Assíria. A biblioteca de Assurbanipal estava alojada no palácio do rei em Nínive, e quando o palácio foi incendiado por invasores, cerca de 20.000 tábuas de argila foram queimadas (e portanto, preservadas) pelo grande incêndio. Na década de 1920, 660 tábuas envolvendo assuntos médicos da livraria de Assurbanipal foram publicadas por Cambell Thompson. As tabuas incluem o Tratado sobre Diagnóstico e Prognostico Médicos, organizado na ordem que vai da cabeça ao pé, com subseções cobrindo doenças convulsivas, ginecologia, neurologia, pediatria, atribuindo as causas e descrições das doenças, sugerindo também tratamentos.

Conceito Mesopotâmico para Doença e Cura

Com relação a religião, os mesopotâmicos eram politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses e que estes podiam praticar o bem ou mal, e eram imagem e semelhança dos seres humanos. Assim como no Egito, a causa da doença estava ligada diretamente ao pensamento sobrenatural; todos os fenômenos estavam subordinados a vontade dos deuses. Os deuses podiam castigar os povos de duas formas: Abandonando-o ou através da punição direta ( praga ou doença violenta, afetando toda a comunidade ). Assim, a doença e cura estavam envolvidas numa complexa relação entre os seres humanos, demônios e deuses; e cada espírito era responsável por uma doença em cada região do corpo. E caso alguém cometera algum pecado, fizesse algo que desagradasse os deuses, por exemplo, os mesopotâmios acreditavam que os deuses deixavam de protegê-lo e seu corpo estaria vulnerável a invasão de demônios e espíritos do mal. O indivíduo podia ser acometido pela doença a nível físico, interno ou psicológico. Como amostra dessas entidades divinas, temos: o Deus mal, o PAZUZU, que representava o vento sudoeste e que trazia as tempestades e a estiagem; e o Deus bom em forma de serpente, NINGHIZIDA.

Profissionais da Medicina na Mesopotâmia

Havia três tipos distintos de profissionais da medicina na Mesopotâmia: Ashipo, Asu e Baru. O Ashipo ou ‘mago’, tinha como principal função não só diagnosticar a doença e determinar qual deus ou demônio estava causando o mal ao paciente, mas também tentava relacionar a doença a algum erro ou pecado cometido previamente pelo indivíduo. O Ashipo também tentava curar/purificar o enfermo através de algum exorcismo, simpatias e encantamentos para expulsar o espírito mal e influências malignas do corpo do doente.

O Asu, considerado especialista em remédios à base de ervas, apelou a um grupo de manipulações físicas, atos cirúrgicos limitados e a administração ou aplicação de receitas, resultantes da mistura de substâncias orgânicas e inorgânicas. Tratava a ferida em três etapas, lavando a ferida, usando compressas e bandagens; as compressas utilizadas pelos médicos sacerdotes da época, parecem ser uma das técnicas mais antigas da ciência médica e uma forma eficiente de tratamento, pois misturas de ingredientes medicinais eram aplicadas a uma ferida e mantidas no lugar por uma bandagem. Uma das mais complexas compressas utilizadas exigia o aquecimento de uma resina de planta ou gordura animal com material alcalino. Esta mistura, quando aquecida, libera sabão, que ajudaria a proteger contra infecções bacterianas.

O Baru, considerado o adivinho sacerdote ou profeta, que ao exame dos órgãos de um animal sacrificado especialmente para o efeito, daria uma decisão final sobre a doença ou no futuro. Geralmente cordeiros eram sacrificados para que a hepatoscopia fosse realizada.

Então, feito uma intervenção específica de um Ashipu (pastor – exorcista), não tendo os resultados, o tratamento foi continuado por o Asu (curador prático). Caso também não haja resultados, os pacientes poderiam ir à busca de um adivinho sacerdote (Baru). Os profissionais também trabalharam juntos, enquanto um diagnosticava o outro tratava. Os papéis de ambos algumas vezes se mesclavam: um asu podia ocasionalmente fazer um encanto, e um ashipu prescrever uma droga, ou seja, já havia desde os primórdios o trabalho em equipe para o tratamento da doença.

Código de Hamurabi

Não sendo a única aplicação da justiça na Mesopotâmica, o código é baseado no princípio de “olho por olho, dente por dente”. Havia várias leis no Código de Hamurabi relacionadas aos cirurgiões. Tais leis afirmavam que o médico era responsável por seus erros e fracassos da cirurgia. Vale ressaltar que, de acordo com tais leis, o pagamento do cirurgião bem sucedido e do mal sucedido era determinado pelo status do paciente. Se o cirurgião salvava a vida de um escravo, ele recebia apenas dois shekels. Entretanto, se uma pessoa de status morresse como resultado de uma cirurgia, o cirurgião arriscava-se a ter sua mão cortada. Se um escravo morresse quando da cirurgia, o cirurgião apenas tinha de pagar para a substituição do escravo.

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